terça-feira, 11 de outubro de 2011

Alface transgênico pode ajudar no diagnóstico de dengue

Embrapa, UnB e Fiocruz se unem para desenvolver kit de diagnóstico mais ágil e econômico.


Divulgação/NCO
Brasília, 11 de outubro de 2011 – Uma pesquisa em parceria entre a Universidade de Brasília – UnB, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Fiocruz pretende utilizar plantas transgênicas de alface para diagnosticar o vírus da dengue. A ideia é produzir um kit de diagnóstico mais econômico e eficiente para agilizar a detecção da doença pela rede pública de saúde no Brasil. Hoje, no mundo, já se sabe que a biotecnologia pode ser uma forte aliada da saúde humana e que os kits de diagnósticos à base de plantas representam cerca de um décimo do valor dos convencionais.
O processo de transformação genética das plantas está sendo conduzido na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, sob a supervisão do pesquisador Francisco Aragão e consiste na introdução de uma parte do gene do vírus da dengue em DNA do cloroplasto de alfaces. As plantas são, então, colocadas em um meio de cultura com antibiótico que garantirá que apenas as células que receberem o gene do vírus sobrevivam. Por fim, as plantas são transferidas para um tubo para regeneração.
Esse processo leva cerca de quatro meses e as alfaces geneticamente modificadas são mantidas em casas de vegetação seguras e específicas para esses organismos na Unidade da Embrapa.
O kit terá um reagente produzido com a planta transgênica de alface na qual foi injetada o gene do vírus da dengue. A alface transgênica produzirá uma partícula viral defeituosa que será aproveitada em reagente, a ser misturado ao sangue coletado. Conforme a reação, o medicamento indicará se o paciente está com os anticorpos do vírus da dengue.

Novo kit pode reduzir necessidade de importação

“O Brasil precisa ter mais alternativas para o diagnóstico da dengue. Hoje em dia, o país não tem condições de produzir a quantidade de antígeno que precisa e acaba tendo que importar de outros países, como a Austrália. A nova alternativa poderá acabar com a necessidade do país em importar o kit diagnóstico”, explica o pesquisador Tatsuya Nagata, do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília.
Segundo o professor, a utilização de alface é a melhor opção na relação custo/benefício. Outros métodos com células de mamíferos, células de insetos, leveduras e bactérias também são utilizados para a preparação de vacinas ou para o diagnóstico de doenças, mas as plantas aproximam-se mais do sistema do ser humano e, por isso, garantem melhor qualidade. “Bactérias e leveduras têm um sistema celular mais primitivo do que o da alface. O sistema celular da planta é mais próximo do dos seres humanos”, diz.

Pesquisa está em fase de validação

O antígeno está sendo testado com sangue de pessoas que tiveram a doença registradas no banco de dados da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz. “Por enquanto os resultados estão sendo positivos, mas a validação ainda deve demorar uns dois anos, pois precisamos de um aproveitamento de cerca de 95% para poder pensar na comercialização do produto em grande escala”, explica a doutoranda da Fiocruz Franciele Maldaner, que também faz parte da pesquisa.
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, Jornalista/NCO
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO)
Fones: (61) 3448-4769 e 3340-3672
Foto: Claudio Bezerra 

Fonte: 
http://www.cenargen.embrapa.br

XI Simpósio Brasileiro de Melhoramento Animal

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sábado, 8 de outubro de 2011

Documentario A história da Origem dos Alimentos


Como é complicado encontrar algo sosobre os trasgênicos que não seja uma crítica. O documentário  "A história da origem dos alimentos" nos propõe uma  a reflexão sobre o que são alimentos naturais e dismistifica alguns dogmas, retratando  como se deu a "evolução" dos alimentos até os dias atuais com os OGMs.

Sinopse: Investiga a origem dos alimentos, abordando também o tema dos transgênicos. Inclui entrevistas com cientistas e promove a importância da ciência em desenvolver crescentes suprimentos de comida barata e recursos renováveis.
Duração: 62 minutos.

Clique aqui para download do documentário

Fonte:
http://tvescola.mec.gov.br





terça-feira, 4 de outubro de 2011

Livro "Produtos naturais, que fraude!" causa polêmica na Espanha

Trabalho escrito pelo professor de Biotecnologia da Universidade de Valencia questiona conhecimento científico dos produtos naturais
Um livro chamado Los productos naturales! Vaya timo! (algo como Produtos Naturais, que fraude!) vem incentivando debates na Espanha. Especialmente depois de seu autor – o professor de Biotecnologia da Universidade Politecnica de Valencia, Jose Miguel Mulet – ter concedido uma entrevista ao diário catalão La Vanguardia na qual afirmou que os defensores de produtos naturais são "bons de papo, mas têm pouca base científica".

Mulet abriu espaço para opiniões diversas no blog homônimo ao livro (www.losproductosnaturales.com), discutindo ciência e biotecnologia. "Trato de buscar, do ponto de vista científico, o que há de verdade e de mentira por trás da publicidade e da percepção das pessoas de que os produtos naturais são melhores para a saúde e o meio ambiente", diz ele nesta conversa com o Monsanto em Campo.

Apesar das críticas, o professor também faz um mea-culpa. "Talvez os cientistas devessem sair um pouco dos laboratórios e dedicarem-se a contar à sociedade o que estão fazendo".

Do que se trata o seu livro Los productos naturales ¡vaya timo!?

O livro fala de tudo aquilo que nos é "vendido" sob o termo "natural" (ou orgânico), da alimentação à medicina, passando pela habitação e energia. Trato de buscar, do ponto de vista científico, o que há de verdade e de mentira por trás da publicidade e da percepção das pessoas de que são produtos melhores para a saúde e para o meio ambiente. A verdade é que por trás do mercado verde há muita ideologia, mas pouca ciência.

Por que decidiu escrevê-lo?

Tive de buscar informações sobre esses temas quando comecei a dar aulas na universidade, como parte da minha preparação e também por curiosidade. Percebi que muitas das coisas que meus alunos, futuros engenheiros agrônomos e biotecnólogos, entendiam como seguras em temas relacionados à alimentação não tinham base científica que os apoiassem. Por isso, pensei que poderia ser útil escrever um livro sobre o mercado "natural" ou "ecológico".

E como tem sido a reação dos seus leitores?

Em geral, a resposta dos leitores tem sido boa e tenho recebido comentários muito interessantes. Também é verdade que o livro incomodou muito os ecologistas, ainda que as críticas mais agressivas venham de pessoas que não se preocuparam em ler o livro. O mundo verde é pouco receptivo às críticas.

A preservação do meio ambiente e da ecologia são temas muito importantes atualmente, incluindo a questão de como se produz os alimentos. Qual a sua opinião sobre a necessidade de produzir mais alimentos e, ao mesmo tempo, conservar o meio ambiente?

A agricultura não é ecológica por definição. Mas já que é "agressiva" ao meio ambiente, devemos levar em conta todo o empenho e toda a ajuda da biotecnologia para que o seu impacto seja o menor possível, sem prejuízo da produção. Qualquer solução que implique em baixar o nível de produção de alimentos será um fracasso, já que nos obrigará a utilizar mais terra – ou seja, desmatar áreas virgens.

Há quanto tempo o senhor estuda os transgênicos?

Comecei a tese de doutorado em 1997, trabalhando com a tolerância à salinidade nas plantas. Atualmente, estou começando minha própria linha de pesquisa. Graças ao sistema modelo de leveduras, temos identificado genes de beterraba que dão tolerância à seca ou ao frio. Agora estamos introduzindo em plantas de interesse agronômico, como tomate e arroz.

Por que os europeus ainda resistem aos transgênicos?

São motivos históricos. As primeiras empresas a comercializá-los são americanas, por isso as empresas europeias viram com bons olhos as reticências de alguns grupos e aproveitaram para fazer leis restritivas, que lhes protegessem frente à concorrência. À medida que as empresas europeias comecem a desenvolver os transgênicos, esse medo vai passando e as leis serão menos restritivas. Aí está o exemplo da Alemanha, que era antitransgênica até que a Basf desenvolveu a batata Amflora.

Quais as vantagens dos transgênicos para a agricultura e os consumidores?

O tema transgênicos é muito amplo. Os medicamentos, o algodão, as enzimas dos detergentes são transgênicas. Tantas aplicações são a melhor prova de que a tecnologia funciona. A respeito das vantagens para o agricultor, depende de cada variedade. Algumas permitem economia de inseticidas, outras permitem o plantio direto. Esses benefícios nem sempre são percebidos pelo consumidor, salvo pela economia no preço final do produto. Agora mesmo estão desenvolvendo transgênicos com melhores propriedades nutricionais cujos benefícios serão mais perceptíveis para o consumidor. Estou certo de que, quando chegarem ao mercado, essas variedades diminuirão certa rejeição que ainda há em relação aos transgênicos.

Quais as vantagens dos produtos ecológicos?

Produto ecológico apenas quer dizer que se adapta à normativa de produção vigente no país. Deste ponto de vista, a principal vantagem é tranqüilizar a consciência do comprador, que crê que paga mais por algo que é melhor para a saúde ou para o meio ambiente, ainda que não esteja certo disso.

A agricultura convencional e a transgênica podem conviver harmoniosamente?

Sim, perfeitamente. É o que está acontecendo em países como a Espanha. Os problemas da coexistência são um mito criado conforme o interesse de algumas organizações. Se você for ao campo, não verá esses problemas em nenhuma parte. Quem quer transgênico planta transgênico. Quem não quer, não planta. Apenas é necessário respeitar a distância recomendada. As leis de distância mínima dos transgênicos não estão pensadas para garantir a qualidade do produto, e sim para contentar os ecologistas.

Como tem sido o desenvolvimento da biotecnologia e a difusão do conhecimento científico na Espanha?

A situação é um pouco contraditória. A Espanha é o principal produtor de milho transgênico da Europa e, ainda assim, sofremos com a rejeição dos consumidores porque, em sua maioria, preferem a alimentação dita natural. Por outro lado, na Universidade Politécnica de Valencia, lançamos a carreira de Biotecnologia há cinco anos. Para 100 vagas temos 800 candidatos. Temos às vezes uma rejeição à biotecnologia na alimentação, mas há grande interesse dos jovens em estudar biotecnologia. Talvez os cientistas devessem sair um pouco dos laboratórios e dedicarem-se a contar à sociedade o que estão fazendo. Minha modesta contribuição é o livro e o meu blog – www.losproductosnaturales.com –, onde falo de biotecnologia e de mitos na chamada alimentação natural.

Fonte: 
www.monsanto.com.br