domingo, 11 de outubro de 2015

Quer Comprar um Micro Porquinho Geneticamente Editado?


 Na minha memória o porquinho mais famoso que conheci era o do filme “Babe o porquinho atrapalhado” de 1995. Isso mesmo, vinte anos atrás!
Na verdade não era “o babe”, eram “os babes”. Foram necessários 48 porquinhos da raça yorkshire para que pudessem concluir as filmagens, pois animais dessa raça crescem rapidamente, podendo chegar a módicos 120kg aos 6 meses de vida. Provavelmente deve ter sido o Babe que indiretamente influenciou “a moda” do porquinho como animal de estimação.  
Atualmente existem porcos bem menores, no Brasil, os micropigs, são fruto do cruzamento de três raças (Kune Kune X Porquinho Vietnamita X Cerdo Enano), estes animais pesam cerca de 30 kg na fase adulta, já os micropigs desenvolvidos recentemente pela equipe de cientistas do BGI, na china, tem a metade do peso do micro porquinho obtido por meios convencionais (imagem abaixo). De acordo com os cientistas, também é possível “editar” outras características como a coloração. Já imaginou o pessoal querendo ter porquinhos de várias cores?

Ficou com vontade de adquirir o seu? Então prepare o bolso pois o provável preço inicial de venda na china é de 10000 yuan (aproximadamente uns 6000 reais).
Como os cientistas obtém os micropigs?
São usados suínos de raça Bama que pesam entre 35 a 50 kg, de onde se retirada células do feto, que antes de serem clonadas, são submetidas as enzimas chamadas transcription activator like-effetor nucleases (TALENs), ou em bom português, transcrição do gene alvo ativador-como nucleases efetoras, que tem o papel de desativar um dos dois genes receptores do hormônio de crescimento nas células.
Com o desenvolvimento da Bama clonado, sem as células receptoras para o hormônio do crescimento, o resultado é o micro porquinho.
Afim de otimizar o processo, os cientistas repetiram o procedimento gerando animais do sexo masculino que foram cruzados com fêmeas normais, resultando numa prole com 50% de micropigs e 50% de animais normais. Resultado excelente, considerando o custo de obtenção de micropigs via clonagem e os possíveis problemas de saúde que a clonagem pode vir a ocasionar.
Muito mais que um animal de estimação
Na verdade suínos são largamente utilizados como organismos modelo para estudos tratamentos de doenças humanas, e um animal menor gera menos custo para a condução de experimentos. Este é o verdadeiro foco do BGI, que pretende reverter todo o dinheiro arrecadado com as vendas para continuar custeando suas pesquisas.


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ser bruxo ou não ser, a genética é a solução


Em abril de 2005 foi publicada na Revista Nature uma carta de três pesquisadores na área de genética sobre uma estratégia para introduzir conceitos de genética à crianças/jovens. O mais interessante é que os pesquisadores, que provavelmente são fãs dos livros do Harry Potter, foram muito perspicazes ao notarem que existia um padrão na herança para da característica dos personagens serem bruxos ou Trouxas (Humano  normal). Essa correspondência inspirou  questões de vestibulares aqui no Brasil. 
Eu vou resolver  uma delas que servirá  para explicar o que eles relataram à Nature.
(FUVEST-2008) Na revista Nature, em 11 de agosto de 2005, foi publicada uma carta em que os autores sugeriram que as histórias do jovem “bruxo” Harry Potter, escritas por J. K. Rowling, poderiam ser úteis no ensino da hereditariedade. Nessas histórias, os indivíduos podem ser “bruxos” ou “trouxas”. I. Harry Potter é filho único de um casal de “bruxos”. II. O amigo de Potter, Ron Weasley, é “bruxo” e tem pai e mãe “bruxos”. Os irmãos de Ron, Fred e George, e sua irmã Gina também são “bruxos”. III. A jovem “bruxa” Hermione nasceu do casamento entre uma “trouxa” e um “trouxa”. IV. O “bruxo” Draco Malfoy, inimigo de Potter, tem pai e mãe “bruxos”. Com base nessas informações, responda:
a) Supondo que ser “bruxo” ou “trouxa” é um caráter hereditário monogênico, qual das famílias permite concluir que o gene que determina tal característica não se localiza no cromossomo X? Justifique.
b) O “bruxo” Draco Malfoy despreza pessoas como Hermione, que têm pais “trouxas”, pois se considera um “bruxo” de sangue puro. Se vierem a se casar com “bruxos”, quem tem maior probabilidade de ter crianças “bruxas”, Draco ou Hermione? Por quê?

Resposta letra a:
A primeira coisa a ser feita é montar a árvore genealógica para cada caso que foi descrito. 
Destaquei os bruxos com preenchimento ROXO.

Quem for atento pode perceber que se fôssemos montar uma árvore genealógica para cada caso teríamos a “mesma estrutura da arvore” para o caso I, e IV (filho bruxo de pais bruxos).
Na primeira pergunta, já está sendo afirmando que o caráter em questão é controlado por 1  gene com dois alelos e temos que provar que este não se localiza no cromossomo X. Vamos montar as hipóteses  que teriam de ser atendidas para o caráter bruxo ser ligado ao cromossomo X . Para isso, temos que achar a estrutura da árvore que permite que façamos alguma inferência, se formos observar as três árvores montadas, o único caso que vemos alguma variação na condição dos pais/filhos (segregando) é a III (bruxa filha de humanos) esse é o "pulo do gato" para responder este tipo de  questão.
Agora é hora de elaborar as possibilidades do gene ser ligado ao X e observarmos se a III árvore atende o que esta sendo proposto:
Hipótese 1: se o caráter fosse recessivo (b) ligado ao X,  para a filha ser bruxa (XbXb) ela teria que receber um cromossomo da mãe, que poderia ser humana portadora do alelo bruxo (XBXb), mas o pai teria que ser OBRIGATORIAMENTE bruxo (XbY).
Hipótese 2: Caso o caráter bruxo fosse dominante ligado ao X, a filha bruxa teria que ser (XBXb ou XBXB) e ao menos um dos pais teria que ser bruxo (XBY, XBXb ou XBXB).
Podemos justificar o fato do caráter não ser ligado ao cromossomo X quando as duas hipóteses possíveis não são atendidas ao observarmos a árvore III.

Resposta letra b.
Para que a probabilidade de um dos dois seja maior que a do outro eles teriam que ser homozigotos dominante ou recessivo para a característica.
Já sabemos que o caráter em questão é controlado por um gene que não está localizado no cromossomo X. Também sabemos que não se trata de genes localizados no cromossomo Y (Genes Holândricos), pois há mulheres bruxas. para saber de mais coisas que poderiam ser testadas olhe aqui.
Vamos ver se a árvore III atende a possibilidade do caráter bruxo ser controlado por um gene autossomal recessivo ou dominante.
Hipótese 1: um gene autossomal dominante. Para ser bruxo a menina teria que ser (BB ou Bb) e os pais teriam que ser bruxos também, pois ambos seriam portadores de ao menos um alelo (B).
Hipótese 2: um gene autossomal recessivo. Para ser bruxa a menina teria que ser obrigatoriamente (bb) e os dois pais teriam que ao menos ser humanos portadores do caráter bruxa (Bb) ou bruxos (bb).
Verificamos que com isso a árvore III (e demais arvores) atende o que propomos na hipótese 2, pais humanos (Bb) e filha bruxa (bb). Com isso podemos concluir que tanto a Draco Malfoy (bb) quanto Hermione (bb) tem a mesma probabilidade de gerarem filhos bruxos e todos os seus filhos seriam bruxos.  
Resumindo: todos os bruxos são homozigotos recessivos (bb).
Voltando a correspondência enviada a Nature, os pesquisadores ainda apontaram outras coisas além do caráter recessivo para ser bruxo.  Neville, bruxo de pouco poder, e o zelador Fich, filho de bruxo mas sem poderes, poderiam ser assim desta meneira devido a mutações, penetrância incompleta, e/ou pulada de cerca paternidade duvidosa.  


Tem mais uma questão relacionada à carta, mas essa eu deixo para vocês resolverem e comentarem sobre a resposta que acharam.

(UFRGS-2006) Conforme correspondência publicada na revista científica Nature de agosto de 2005 (p.776), foi sugerido que a característica de ser ou não bruxo seguiria padrão de segregação mendeliana. Rony, Neville e Draco são bruxos, filhos de pais bruxos, provenientes de famílias bruxas tradicionais. Hermione é bruxa, mas filha de trouxas (não bruxos). Simas é bruxo, filho de uma bruxa e de um trouxa. Harry é bruxo, filho de bruxos, sendo sua mãe filha de trouxas.
Com base no texto, considere as seguintes afirmações sobre o caráter bruxo em termos genéticos.
I. Harry é menos bruxo que Rony, Neville e Draco.
II.  Hermione apresenta dois alelos para o caráter bruxo.
III. Simas é heterozigoto para o caráter bruxo.
Quais estão corretas?
(A) Apenas I.
(B) Apenas II.
(C) Apenas I e III.
(D) Apenas II e III.
(E) I, II e III.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

CRISPR/Cas9: Manipulando o Genoma Humano



Fiz questão de “traduzir” o vídeo acima facilitando a minha e a sua vida para entender basicamente como o DNA pode ser manipulado através do CRISPR/Cas9.  Deem uma olhada e depois voltem a ler o meu breve comentário sobe essa polêmica.
O artigo publicado na Protein &Cell sobre a manipulação de embriões humanos (não viáveis) causou o maior “fervor” na comunidade científica. O estudo utilizou embriões humanos com o objetivo de inativar o gene causador da anemia do mediterrâneo (talassemia).
 Como era de se esperar, alguns veículos de comunicação nacionais trataram o assunto como se a tecnologia já estivesse sendo no dia a dia em qualquer clínica de fertilização. Com relação a utilização desta metodologia diretamente em células embrionárias humanas, acredito que seja algo extremamente precipitado, além de envolver um longo debate ético a tecnologia ainda é muito recente para sabermos das possíveis consequências do uso em humanos. Existem outras maneiras mais simples para evitarmos algumas doenças genéticas em nossos filhos, como a seleção genética de embriões in vitro.
Nos EUA, Francis S Collis, diretor do Instituto Nacional de Saúde (NIH) e um dos geneticistas mais respeitados do mundo, divulgou uma carta aberta afirmando que a utilização desta tecnologia em embriões humanos deve ser banida.
Por outro lado, como pode ser visto no vídeo, CRISPR/Cas9 é uma tecnologia muito interessante para a aplicação em plantas e animais (não humanos).
No mesmo momento em que li esta notícia, veio em minha mente a o filme GATTACA que já comentei aqui no blog, e para finalizar deixo a seguinte pergunta: Será que este tipo de pesquisa não vai continuar “por baixo dos panos” mesmo a contragosto de grande parte da comunidade científica?

imagem: www.redorbit.com  


quinta-feira, 12 de março de 2015

Ensino de Criacionismo Obrigatório nas Escolas #eusoucontraPL8099


Esse trecho do episódio da série The Big Bang Theory serve muito bem para ilustrar o caso que irei comentar.
Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que todos têm o direito de ter ou não a crença que bem entender.
O problema é que a escola não é lugar para ensino sobre mito de criação, todavia, parece que o Sr. deputado e pastor Marcos Feliciano não concorda com isso, tanto que propôs uma lei que pretende tornar o ensino de criacionismo obrigatório nas escolas públicas e privadas.
Segundo o Sr. Feliciano “O Ensino darwinista limita a visão cosmológica de mundo existencialista levando os estudantes a desacreditarem da existência de um criador que está acima das frágeis conjecturas humanas forjadas em tubos de ensaio laboratorial.”  Leia o projeto na íntegra aqui.
Ele diz que a “ciência limita a visão cosmológica”. Na minha humilde opinião, a ciência tenta decifrar os fenômenos naturais justamente porque não se conforma com uma explicação simplista. É justamente a não conformidade que faz com que o cientista elabore e teste hipóteses.
Continuando as pérolas: “são frágeis conjeturas humanas FORJADAS em tubos de ensaio”. Conjecturas frágeis e forjadas.... WTF! - Rasguem todos os livros didáticos corram para as colinas!
 Ao contrário do que o senhor Feliciano está propondo que seja ensinado nas escolas, nós podemos testar e validar evolução por meio de inúmeros experimentos.
As Redes sociais já estão se manifestando contra o projeto de lei através da Hastag  #eusoucontraPL8099  se você também é contra compartilhe.
Cliquem para ler as cartas elaboradas pela Associação Brasileira de ensino de Biologia (SBEnBio) e a Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) sobre este assunto. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

O Eucalipto Transgênico e o Idealismo Distorcido do MST



Amigos leitores, quais as relações podemos observar entre estas duas fotos acima?

Primeiramente vamos descrever as duas imagens, a foto da esquerda representa integrantes do Estado Islâmico destruído estátuas com mais de 2700 anos de idade por representarem algo que vai contra a doutrina pregada em sua religião. A foto da direita representa o ato de vandalismo do MST ao ocuparem e destruírem cerca de 15 anos em experimentos da empresa Suzano. 

Antes da resposta peço que assistam o vídeo publicado na página do MST




Voltando a pergunta sobre a relação entre as duas imagens eu poderia dizer que são inúmeras, em uma breve análise primeiramente percebemos que ambos usam uma vestimenta típica para caracterizar sua ideologia, em segundo lugar, mesmo que seus atos representem a vontade de uma minoria eles não se importam pois tem convicção que todo o restante da sociedade está errado, em terceiro, ambos são altamente articulados e controlados por um líder onde grande parte dos seus integrantes os seguem cegamente não tendo a mínima noção das consequências dos seus atos.  Por último, especificamente nesta foto, vemos a destruição do passado, por meio da depredação dos registros históricos de um povo,  e no caso do MST observamos a destruição do futuro, quando anos de pesquisa são postos abaixo.
Vale a pena enfatizar que quinze anos de trabalho podem representar muito mais que isto em termos de lançamento de novas variedades.  A depender do que foi destruído os pesquisadores tem que refazer tudo do zero novamente até chegar novamente ao ponto estava agora. Cruzamentos, avaliação das plantas, tudo isto demanda muito tempo e dinheiro.
Além da invasão estação da Suzano o MST também impediu a reunião do CTNBio em Brasília que votaria a liberação comercial do eucalipto transgênico.
Abaixo temos um fragmento do texto publicado no site do MST.
“O mais importante é que conseguimos levar esse debate à sociedade. Não fossem essas ações, muito provavelmente o cultivo de eucalipto transgênico teria sido liberado sem que a sociedade nem se desse conta, e toda a população pagaria o preço”, disse a Sem Terra
Você tem uma comissão formada em sua grande maioria por profissionais sérios especialistas nas mais diversas áreas que baseiam sua decisão em centenas de estudos durante vários anos.   De repente o MST se acha mais idôneo e capacitado que a comissão da CTNBio. Em algum momento a sociedade foi consultada pelo MST antes da depredação da empresa Suzano? Ou a sociedade é apenas o MST.  Sinceramente esta lógica que não entra na minha cabeça.
O foco deste blog sempre foi tentar desmistificar todos estes falsas informações acerca dos organismos transgênicos. Quem quiser alguma informação e só olhar aqui mesmo no blog temos dezenas de postagens sobre o assunto (exemplo 1 e 2 ). 
Podemos observar no nesse infográfico da  FuturaGene os possíveis benefícios que  poderiam ser obtidos com o cultivo do eucalipto geneticamente modificado.



Por fim fica claro que deve ter algum interesse "oculto" por trás  dos lideres do MST que  se tornou um movimento que cada vez mais perde a credibilidade perante a sociedade. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Melhoramento Genético de Plantas em Israel



Nem só de conflitos territoriais e religiosos vive Israel. A agricultura é um dos pontos fortes do país que chega a exportar mais de 2 bilhões de dólares por ano em alimentos. Um dos alimentos mais reconhecidos internacionalmente é o tomate que possui sabor e valores nutricionais únicos. Confira nas imagens abaixo algumas  variedades “Made in Israel” 


Fonte:
http://www.israel21c.org/



quarta-feira, 25 de junho de 2014

Cientistas Pedem a Suspensão dos Transgênicos em Todo o Mundo: - Eu Fico Louco!



Antes de mais nada quero deixar bem claro mais uma vez que não tenho nada contra a aqueles que praticam a chamada agricultura orgânica. Cada um tem o direito de comprar e plantar o que quiser.
Voltando ao assunto dessa postagem.
Percebi na internet a “viralização” dessa carta aberta com intuito da retirada dos alimentos geneticamente modificados assinada por mais de 800 pesquisadores. Acredito que a primeira fonte recente que divulgou  essa carta no Brasil seja o site do Instituto Umanitas Unisinos (Clique aqui para Ler), que traduziu a notícia do site Ecosas, que por sua vez, traduziu a carta do site americano ISIS.
Até o Gilberto Gil compartilhou a carta no twitter dele.
A dita Carta.
A carta foi desenterrada da tumba do faraó Tutâncamon, pois se encontra assinável desde o ano de 2000! Não tenho nada contra quem assinou a carta com aqueles argumentos no ano 2000, querendo ou não, os alimentos transgênicos eram uma “coisa nova”. Agora o pesquisador, assinar uma carta dessa atualmente se firmando nas "referências" do ano 2000, no mínimo, está carente demais de informação.

Falando da  Carta.
  1. Primeiramente, metade do documento fala de política, dos  monopólio das empresas (o velho mi mi mi de sempre), sendo que estas empresas geram emprego e desenvolvem tecnologia. Já falei um pouco sobre isso aqui nesse post
  2. A questão da saúde:  Em 2010, a Comissão Europeia revisou 50 estudos sobre a segurança das lavouras GM e não encontrou "nenhuma evidência científica associada aos possíveis riscos dos OGM à alimentação humana e animal. American Medical Association fez um relatório sobre a rotulagem de alimentos de bioengenharia. O relatório concluiu que "alimentos de bioengenharia foram consumidos por quase 20 anos, e durante esse tempo, não houve consequências evidentes na saúde humana que tenha sido relatada e/ou fundamentada na literatura revisada por pares
  3. Aumento do Uso de herbicidas:  Falar que o mundo usa mais defensivos e herbicidas sem levar em conta o aumento da área plantada e da produtividade,  é incoerente. O relatório do Departamento de Agricultura dos EUA observou que o glifosato (muito utilizado em lavouras transgênicas) é pelo mesmo 3x menos toxico e tem um tempo de permanência no mínimo 2x menor que outros herbicidas convencionais.
  4. Prejudica o meio Ambiente: Esta revisão de 2011 com mais de 150 artigos aponta que os transgênicos ajudam a diminuir o uso de inseticidas e evitam que novas áreas sejam desmatadas para agricultura.
  5. Transgênicos não aumentam a produtividade: se você está doente, com febre, suando frio e tremendo na cama, certamente você tem um rendimento menor que se estivesse sadio. A mesma coisa acontece com as plantas em relação ao ataque de pragas e a competição com plantas daninhas.O artigo de revisão da Nature Biotechnology (2010) feito a partir de 49 artigos comparando o rendimento de culturas transgênicas com as convencionais, apontaram que principalmente os pequenos agricultores foram beneficiados com a adoção da tecnologia com o aumento da produtividade.

Finalizando

Não consigo resumir em palavras como eu me sinto quando eu vejo uma notícia como essa sendo amplamente divulgada na internet, o máximo que eu consigo é deixar esse vídeo do mito jornalista Alborghetti que resume bem como eu fico.




·      *Quase todas as fontes citadas foram retiradas desta excelente matéria publicada pelo Ronald Bailley.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

E Se Robôs Avaliassem Seu Experimento ?




Aquele sol escaldante e você suado em bicas com prancheta e lápis na mão tomando os dados do seu experimento, seja este conduzido no campo ou em casa de vegetação. Por mais que você tome cuidado na tomada de dados do seu experimento este está fadado a algum tipo de erro seja pelo cansaço seu e/ou do(s) seus companheiro(s) que ajudam na tomada de dados. Outro problema é de cunho prático, dependendo muito do número de pessoas que você dispõe para avaliar o experimento, seja para aumentar o número de plantas ou para avaliar a mesma planta diversas vezes durante todo seu desenvolvimento. Como resolver estes problemas?  
Esta é a deixa para falarmos  de dinheiro da fenômica.
A fenômica ou fenotipagem de última geração é basicamente a ciência que pretende integrar todas as outras ÔMICAS em uma visão holística sobre o comportamento do organismo, associando o fenótipo ao genótipo, e tem como um dos principais recursos o uso de imagens.  Temos que pensar que mesmo lendo todas as letras (bases nitrogenadas) do genoma, o trabalho mais complicado é associar as letras ao que nos interessa (o fenótipo).
Dentre as características que podem ser avaliadas (considerando o que foi mostrado no vídeo) podemos citar: Área ocupada pela planta, massa da planta, arquitetura foliar, fenologia, teor de clorofila, lesões de patógenos, temperatura da folha, conteúdo de água nos tecidos e no solo etc.
Vale a pena salientar que os estudos de fenômica se estendem a todo o tipo de ser vivo.

Assista o vídeo com o que se tem de mais moderno na Fenômica e sonhe como seria bom ter toda está tecnologia em mãos aqui no Brasil.  



quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Multifacetado Fernando Reinach

me>

Se você não conhece o Fernando Reinach, vou fazer aqui um breve resumo sobre a vida dele para que o leitor possa entender o título da postagem.
Fernando Reinach é formado em biologia (1978) pela universidade de São Paulo,  mestre em Ciências (Biologia Celular e Tecidual) pela Universidade de São Paulo (1980).  Seu doutorado foi na universidade de Cornell (1984) recebeu menção como melhor tese de 1984, posteriormente fez pós-doutorado pela Universidade de Cambridge (1986)Com 36 anos já era professor titular da USP!
Participou do sequenciamento da Bactéria Xylella fastidiosa, uma praga de citros, que rendeu a única capa até hoje de um trabalho feito por brasileiros na revista Nature. Posteriormente ele pediu afastamento do cargo de professor titular para se evolver na criação das empresas de biotecnologia CanaVialis e Alellyx.
Escreveu  um livro de “crônicas científicas” – A longa Marcha dos grilos Canibais: E Outras Crônicas Sobre a Vida no Planeta Terra.  
Atualmente ele é colunista do estadão (veja aqui sua coluna) e Presidente do Fundo Pitanga.

 Este Bate-papo aconteceu ao vivo no dia 21/05/2013


Além deste bate-papo recomendo muito que vocês assistam também esta Palestra Sobre “A Ignorância da Ética”.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Mosquito Transgênico Liberado Pela CTNBio: Entenda Como Funciona




Por 16 votos a 1 a CTNBio liberou a utilização comercial dos mosquitos transgênicos para o combate à dengue no Brasil.  
A tecnologia da Oxitec já vem sendo aplicada ao redor do mundo. No Brasil, os pesquisadores da USP começaram os estudos no ano de 2010 para adaptar a linhagem transgênica as nossas condições climáticas e fazer os testes preliminares. Entre os anos de 2011 e 2012 o mosquito transgênico foi testado nos Bairros de Juazeiro, Mandacaru e Itaberaba. Como resultado do teste a população local de mosquitos foi reduzida em 90%.

Assista o vídeo da Oxitec e entenda o funcionamento desta tecnologia.

Os Mosquitos transgênicos (linhagem OX513A do Aedes aegypti) são produzidos por meio de uma técnica denominada RIDL (Liberação de Insetos Carregando um Sistema Letal de Genética Dominante) sendo apenas liberados na natureza machos com o gene letal. Ao cruzarem com as fêmeas os mosquitos machos passam esse alelo letal para a descendência que morre na fase larval.
Se o leitor for curioso que nem eu,  vai se perguntar: - Se o gene é letal como os mosquitos criados em laboratório sobrevivem?
Para que os mosquitos modificados geneticamente cheguem na idade adulta em laboratório é necessário que seja ministrado o antibiótico tetraciclina.
Visando uma maior vantagem competitiva os pesquisadores submetem os mosquitos trangênicos a uma “dieta reforçada” e lançam um número maior de machos que os encontrados normalmente na população local (Lembrando que o mosquito macho não pica e alimenta-se somente de néctar de flores). 
A Oxitec já tem uma fabrica em  construída em campinas com a capacidade de produção de dois milhões de mosquitos por semana. Agora é apenas uma questão de tempo para que o governo adote a nova tecnologia. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Homem que Salvou Um Bilhão de Vidas e a Biotecnologia




Antes de falar propriamente deste vídeo,  fica a homenagem ao grande Homem que foi Norman Borlaug que estaria completando 100 anos ontem (25/03/14). Norman Borlaug foi “Pai” da revolução verde (melhorista de plantas com “M” maiúsculo). Este vídeo falará um pouco sobre a vida dele (já escrevi um post aqui em 2012 ).
É raro assistir um vídeo na internet que mostre os benefícios da biotecnologia, especialmente quando se trata dos organismos geneticamente modificados.
Este vídeo é parte do episódio da serie americana Penn& Teller:Bullshit, que aborda os mais diversos assuntos de maneira bem  humorada. Todas as temporadas podem ser assistidas gratuitamente (em inglês) no youtube clicando aqui. Confesso que fiquei relutante em postar este vídeo aqui no blog, pois os apresentadores são bem extremistas (de maneira bem humorada! kkk). Entretanto, quando pesquiso assuntos relacionados com este tema para o blog, sempre me deparo com várias imagens. 

Seguindo essa linha de raciocínio, percebi que às vezes é necessário ser extremista quando o objetivo final é promover a informação correta, ou melhor, evidencias científicas.
Logicamente, cada um tem o direito a escolher o que come. Não sendo correto colocar sua desavença política ou nas grandes empresas,  e transformar isso em informações falsas. Ora bolas!  Onde não existe monopólio?

A solução para que este tipo de tecnologia possa atender a quem realmente necessita é o incentivo em instituições de pesquisa públicas e a desmistificação sobre os efeitos dos OGM na saúde humana. 

terça-feira, 11 de março de 2014

Os Cromossomos Sexuais e o Porquê do Nome “Cromossomo X”


Essa é uma pergunta interessante: -  Porque o nome cromossomo X?

Se sua resposta foi devido ao seu formato ... meu caro você está mais perdido que Adão no dia das mães.

Observe a figura abaixo como era complicado distinguir o cromossomo X dos demais.
Por volta de 1880, os cientistas estabeleceram métodos para coloração dos cromossomos para que pudessem ser "facilmente" visualizados através de um simples microscópio de luz. Com este método de coloração foi possível observar a divisão celular e identificar os processos que ocorriam durante  mitose e meiose.
A primeira indicação de que cromossomos sexuais são distintos dos outros cromossomos (autossomais) veio de experimentos conduzidos pelo biólogo alemão Hermann Henking em 1891. Ele fazia observações nas células germinativas do inseto sugador Pyrrhocoris (inseto vermelho no centro da foto da postagem) e notou que algumas vespas tinham 12 cromossomos, enquanto outras tinham apenas 11. 
Outro fato interessante é que na anáfase da segunda divisão meiótica houve um pequeno "elemento cromatina", que, ao contrário dos outros cromossomos, não tinha um semelhante (homólogo). Assim, ele nomeou o cromossomo de "elemento X" para representar sua natureza desconhecida. Curiosamente, quando Henking usou o microscópio de luz para estudar a formação de gametas em gafanhotos femininos, ele não foi capaz de detectar o elemento X. 
Com base em suas observações, Henking elaborou a  hipótese de que este cromossomo extra, o elemento X, desempenhava algum papel na determinação do sexo dos insetos. No entanto, ele não foi capaz de comprovar qualquer evidência direta para apoiar a sua hipótese.
Mais de uma década após o trabalho de Henking, Nettie Stevens examinou várias espécies de besouros e verificou os padrões de herança de seus cromossomos. Em 1905, enquanto estudava os gametas do Tenebrio molitor (mais conhecido como besouro da farinha e está a esquerda da foto da postagem), Stevens observou um par de cromossomos de aparência incomum que se dividiu para formar células de espermatozóides nos besouros machos. Com base em suas comparações de aparência cromossomal em células de besouros machos e fêmeas, Stevens propôs que esses cromossomos “acessórios” estavam relacionados com a herança de sexo.
Ao longo do tempo, outros cientistas estudaram o aparecimento de cromossomas numa ampla variedade de espécies animais, e tornou-se claro que existia uma relação entre a aparência física e o número de cromossomos nos gametas e nas células somáticas de machos e fêmeas de uma dada espécie.
Em todos os mamíferos placentários, machos produzem gametas X e Y, e as fêmeas produzem apenas gametas X. Neste sistema, conhecido como o sistema de XX-XY, o sexo do macho é determinada pelas células do espermatozóides que transportam o cromossomo Y (todos os sistemas discutidos aqui podem ser observados no quadro abaixo).


Em  outros seres vivos a determinação do sexo pode ser muito diferente, por exemplo, no sistema de XX-XO encontrado em grilos, gafanhotos, e alguns outros insetos, as células de esperma que não possuem um cromossomo X (referido como O) determina macho. Aqui, as fêmeas carregam dois cromossomos X (XX) e só produzem gametas com cromossomos X. Os Machos , por outro lado, levam apenas um cromossomo X (XO) e produzem alguns gametas com cromossomos X e outros gametas sem cromossomos (O).
Outro o sistema de determinação do sexo ZZ-ZW usado em pássaros, cobras e alguns insetos depende de fêmeas para levar o par de cromossomos sexuais diferentes (ZW) e dos machos para o par idêntico (ZZ). Vale salientar que os sistemas XX-XY, XX-XO e ZZ-ZW são apenas uma amostra da grande variedade de sistemas de determinação do sexo que os cientistas têm documentado.


Fontes:
www.encyclopedia.com
www.nature.com

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Jogo Do Darwin: Como Sobreviver Um Milhão de Anos?



O desafio desse jogo e montar uma população inicial de maneira que ela consiga sobreviver a seleção natural por um milhão de anos. 
Jogue clicando no menu da imagem abaixo.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Interferindo Nos Genes: Do Combate As Pragas À Maçã Que Não Escurece


Cientistas e empresas de biotecnologia estão desenvolvendo o que pode se tornar a próxima arma poderosa na guerra contra pragas. A tecnologia em questão tem base na descoberta do ganhador do Prêmio Nobel, que propôs o controle dos insetos e patógenos por meio da desativação dos seus genes.
A técnica, desativa uma sequência gênica especifica de uma praga e com isso tem potencial para matá-la sem prejudicar outros insetos benéficos à planta. Isso seria um grande avanço sobre os pesticidas químicos.
Os cientistas que primeiro desvendaram esse mecanismo ganharam o Prêmio Nobel 2006 de Fisiologia/Medicina, e foi inicialmente assumido que a maior parte do uso seria na medicina. Imaginem drogas que poderiam desligar genes essenciais na formação de tumores, ou então que contribuíssem para diminuir índices de colesterol elevado.
"Se você usar um inseticida comum mata tudo", disse Subba Reddy Palli, um entomologista da Universidade de Kentucky, que está pesquisando a tecnologia que é chamada RNA de interferência (RNAi).(já escrevi um post falando um pouco sobre o RNAi Clique aqui para acessar)
O RNA de interferência é um fenômeno natural que é desencadeado por um RNA de cadeia dupla. O DNA, é o material que origina os genes, geralmente de fita dupla, mas o RNA, que é um mensageiro nas células, geralmente constituído por uma única fita de unidades químicas que representam as letras do código genético. Assim, quando uma célula detecta um RNA de cadeia dupla, ela atua como se tivesse encontrado um vírus ativando um mecanismo que silencia qualquer gene com uma sequência correspondente à do RNA de cadeia dupla. Os cientistas aprenderam rapidamente que poderiam desativar praticamente qualquer gene sintetizando um trecho de RNA de cadeia dupla com uma sequência correspondente.
Várias culturas geneticamente modificadas já poderiam se aproveitar da tecnologia do  RNAi para silenciar genes na própria cultura. Estes incluem a soja com o óleo mais saudável e uma maçã com menor escurecimento (vídeo). A técnica também tem sido utilizada para a resistência a vírus em culturas como o mamão.
O RNA de interferência é de interesse para os apicultores para uma possível utilidade, que é matar um ácaro responsável por uma grande mortandade em abelhas nos últimos anos.
Se o RNAi é dirigido a uma sequência genética única para o ácaro, as abelhas não seriam prejudicadas por ingerí-lo, enquanto os ácaros seriam mortos, uma vez que que atacassem as abelhas. A Monsanto adquiriu a Beeologics, empresa que desenvolve a tecnologia de RNAi para as abelhas. Ele comprou pelo menos duas outras empresas que pesquisam aplicações agrícolas da tecnologia. E pagou dezenas de milhões de dólares pelos direitos de patentes e tecnologia de empresas de RNAi em empresas Farmacêuticas como Alnylam Pharmaceuticals e Tekmira Pharmaceuticals. Mas a Monsanto não está sozinha nesse mercado. Em 2012, a Syngenta assinou um acordo para trabalhar em sprays de RNAi com a Devgen, uma empresa de biotecnologia belga, e mais tarde disse que tinha adquirido todos Devgen para cerca de US$ 500 milhões.
A Monsanto também está desenvolvendo um spray que iria reforçar uma das suas linhas de produtos Mais vendidos – O Roundup, conhecido como o glifosato, funciona inibindo a ação de uma proteína plantas daninhas precisam para sobreviver, mas muitas ervas daninhas desenvolveram resistência ao Roundup. Algumas dessas ervas daninhas fazem tanto da proteína que o Roundup não pode inibir tudo. A Pulverização usaria RNAi para silenciar o gene para essa proteína, reduzindo a produção desta proteína e d restaurando a capacidade de matar as ervas daninhas.
Em contrapartida, alguns especialistas temem que a liberação destes agentes de silenciamento de genes nos campos prejudicariam insetos benéficos, especialmente os organismos que têm uma composição genética comum, e possivelmente até mesmo a saúde humana. A controvérsia ecoa para um debate maior sobre a modificação genética de culturas que já dura há anos. A Agência de Proteção Ambiental Americana, que regulamenta agrotóxicos, vai realizar uma reunião de cientistas do conselho para discutir os riscos potenciais do RNAi.
"Usar esta tecnologia nesta fase atual de entendimento seria mais ingênuo do que o nosso uso do DDT na década de 1950", disse o Honey Bee, do Conselho Consultivo Nacional, em comentários enviados à Agencia de Proteção Ambiental antes da reunião, no centro de conferências da agência em Arlington, Virgínia. Um artigo publicado no ano passado, dois entomologistas do Departamento de Agricultura advertiu que os genes são comuns a vários organismos, pesticidas RNAi podem prejudicar outros insetos.


Veja abaixo o Vídeo comparativo da Variedade de Maça com a Tecnologia do RNAi.

As maçãs com a tecnologia do RNAi reúnem  doses extras de genes maçã nativas. Que estimula uma espécie de reação “imunológica” nos frutos, de modo que eles produzem quantidades muito baixas da proteína responsável pela Oxidação (escurecimento).

Fontes:
www.popsci.com/
www.nytimes.com/

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

III Congresso Brasileiro de Recursos Genéticos - Santos-SP



O III CONGRESSO BRASILEIRO DE RECURSOS GENÉTICOS será realizado entre 18 a 21 de novembro de 2014, no Mendes Convention Center, Santos/SP.
Temas Abordados:
- Legislação de Coleta, Intercâmbio e Quarentena
- Conservação dos Recursos Genéticos
- Caracterização dos Recursos Genéticos
- Valoração de Recursos Genéticos da Biodiversidade Brasileira
- Omicas Aplicada a Conservação e Uso de Recursos Genéticos
- Recursos Genéticos e Segurança Alimentar
- Recursos Genéticos e Mudanças Climáticas
Não perca esta oportunidade de comparecer, de enviar seu trabalho, ampliar seus conhecimentos, rever os amigos, e conhecer a simpática cidade de Santos.

Um afetuoso abraço e até breve!
Renato Ferraz de Arruda Veiga - Presidente Área Vegetal
Marcos Aparecido Gimenes - Vice Presidente Área Vegetal
Alexandre Floriani Ramos - Presidente Área Animal
Mauricio Barbanti - Vice Presidente Área Animal
Lara Sette - Presidente Área Microorganismos

André Rodrigues - Vice-Presidente Área Microorganismos